terça-feira, 5 de março de 2013

Última palavra sobre o protesto da Tertvlia Libertas

Houve quem achasse, a propósito do famigerado enforcamento de um coelho pela Tertvlia Académica, que a gravidade da questão estava toda em terem enforcado um coelho. Com o devido respeito por quem pensa dessa maneira, essa é uma opinião francamente deplorável. As razões que me levam a condenar o protesto são bem mais prosaicas e, desde logo, bem mais importantes. Qualquer particular acto de violência contra o coelho, embora possa ser reprovável sob um qualquer título, é um aspecto secundário no contexto em causa. O simples facto de a Tertvlia ter optado por valer-se do cadáver de um animal no protesto apenas demonstra que era sua intenção chocar o público, se bem que o que há de verdadeiramente chocante no caso é que se tenha uma necessidade dessa natureza, o que não passa de uma infantilidade.

São bem simples as razões que fazem deste protesto uma malfeitoria. A primeira delas é tão primária que é geralmente esquecida sempre que se entra a discutir assuntos de semelhante espécie. Trata-se de uma questão de educação. Este protesto foi uma falta de respeito à pessoa do Primeiro-Ministro. Sugerir - através de uma alusão muito pouco sofisticada - o enforcamento do Primeiro-Ministro é um atentado à dignidade da sua pessoa

A segunda razão é que esse foi um protesto que não teve qualquer tipo de conteúdo construtivo. Foi uma pura manifestação de ira que não trouxe nada de novo nem de proveitoso à comunidade. Este tipo de ocorrência é daqueles que só desajuda - mesmo se a intenção é boa - porque estimula a propagação entre a opinião pública daquela imagem dos estudantes como um grupo anti-social, que não se dispõe a cooperar nem oferece soluções novas, que oferece para tudo uma negação, mas jamais uma afirmação.

São estas duas das principais razões que me levam a condenar o protesto, que também recolheu alguns apoios, malgrado o seu radicalismo inane. Houve até alguém que defendeu que a Associação Académica nem deveria ter recebido o Primeiro-Ministro. Isto é, se possível, ainda mais absurdo. Seria uma falta de respeito pelo poder legítimo, aquele respeito sem o qual nenhum poder pode subsistir. Se posso escusar-me a esse dever só porque discordo das medidas do governo, como poderei defender o respeito e a obediência dos cidadãos a qualquer governo, mesmo quando estiver de acordo com ele?